🔎 A Seletividade do Asfalto Custa Caro para a Sociedade
Enquanto vídeos ensaiados vendem “progresso”, moradores do Jardim Valéria colocam a mão na massa diante do abandono
Enquanto o prefeito grava vídeos para as redes sociais comemorando recapeamentos em morros já pavimentados, longe dos holofotes, moradores da Rua Dr. Dirceu Cabral Henriques, no bairro Jardim Valéria, decidiram não esperar mais pelo poder público. Cansados da omissão, eles fizeram o que a Prefeitura não fez: resolveram o problema com os próprios recursos.
Sim, estamos falando de cidadãos que pagam seus impostos em dia, mas continuam invisíveis aos olhos da gestão municipal. Diante de uma rua intransitável — com lama e atoleiros nas chuvas, valetas e poeira na estiagem — os moradores se uniram, fizeram uma vaquinha, compraram frisas de asfalto e fizeram o que a Prefeitura deveria ter feito há muito tempo.
Esse esforço coletivo é um exemplo de cidadania, mas também um retrato triste de um município onde os direitos mais básicos dependem de doações e improviso.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, a máquina pública segue seletiva: no Morro do AABB, o prefeito exibe recapeamentos em rua já pavimentada como se fossem grandes conquistas. A realidade? Obra mal executada, com trechos já danificados e perigosos para motoristas. Ontem mesmo, visitamos a Rua Breno Vieira de Resende, morro ao lado da ponte José Lima. O asfalto novo já solta, os veículos derrapam e, em frente ao Posto Resende, o cenário é de preocupação. Quando vierem chuvas fortes, vamos ver um mar em frente ao posto, pois galeria de águas pluviais? Nenhuma. Bueiros? Nem sinal. O Posto Resende vai ficar ilhado.
Durante a visita, moradores também alertaram para o risco de uma tragédia anunciada: sem fiscalização e com asfalto novo, alunos estão descendo o morro de bicicleta em alta velocidade. Dias atrás, um jovem perdeu o controle, atravessou a avenida e foi parar dentro do posto de gasolina. Por sorte, ninguém se feriu gravemente, mas até quando vamos contar com a sorte?
Na internet, o local já foi apelidado de “Morro da Amizade”, numa ironia que revela o verdadeiro critério para onde o asfalto passa: não é a urgência, nem a dignidade da população, mas sim a visibilidade — e, claro, os interesses políticos.
Enquanto bairros como o Jardim Valéria seguem esquecidos, o foco do governo está em outra pauta: a festa de agosto.
Porque aqui em Bom Jesus, o asfalto tem lado. E o lado certo, infelizmente, não é o da população que mais precisa.
Fonte: Denúncias/Moradores/Internet




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