O PT do Rio e a briga de vaidade e protagonismo
O Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro vive um de seus momentos mais tensos e fragmentados. Internamente, o que se vê é uma disputa aberta por espaço, poder e protagonismo político. Um partido, várias fatias — e nenhuma delas totalmente disposta a ceder.
De um lado está Washington Quaquá e o grupo fortemente instalado na Prefeitura do Rio, além da estrutura política e administrativa ligada a Maricá, município onde o PT exerce poder real e capilarizado. Do outro, André Ceciliano e a ala com forte presença em Brasília, orbitando ministérios, articulações nacionais e o núcleo duro do governo federal.
A crise se intensificou após a eleição de Diego Zeidan para o comando estadual da sigla. A vitória, longe de pacificar o partido, escancarou ainda mais o racha interno e acendeu alertas na cúpula nacional do PT.
O medo da traição e o fantasma de 2014
Em Brasília, o clima é de desconfiança. A aposta de parte da direção nacional é de que Eduardo Paes possa, mais uma vez, surpreender na montagem da chapa eleitoral. O receio ganhou força após declarações do vice-prefeito Eduardo Cavaliere — sempre discreto, silencioso, mas politicamente atento — defendendo uma suposta “neutralidade”.
Para a ala de Maricá, no entanto, o cálculo é outro. Com cargos ocupados em primeiro, segundo, terceiro e até quarto escalão da Prefeitura do Rio, o grupo aposta na manutenção das promessas, no poder já conquistado e na força da máquina administrativa. A lógica é simples: quem já está dentro prefere acreditar no acordo firmado — ainda que informal.
Mas o histórico pesa. E muito.
O cenário atual faz lembrar a eleição de 2014, quando parte do então PMDB fluminense articulou o grupo conhecido como “Aezão”, uma movimentação política para garantir votos e apoio a Aécio Neves no Rio de Janeiro — um estado historicamente difícil para o PSDB. A lembrança ainda assombra o PT nacional.
Vídeos ásperos e costuras desfeitas
Enquanto Brasília acende o sinal vermelho, Washington Quaquá endurece o discurso, aposta em vídeos de tom ríspido, recheados de recados diretos e linguagem sem filtro. Do outro lado, nomes históricos e calejados do partido — Benedita da Silva, André Ceciliano e Lindbergh Farias — atuam longe dos holofotes, desmontando ponto a ponto as costuras políticas oficializadas por Maricá, muitas delas carimbadas em Diário Oficial, mas longe de representar consenso interno.
O resultado é um PT estadual em permanente ebulição, onde acordos parecem frágeis, alianças são temporárias e a unidade virou mais retórica do que prática.
E no interior, o reflexo do caos
A desorganização não fica restrita à capital e à cúpula estadual. No interior, o reflexo é ainda mais evidente.
Em Bom Jesus do Itabapoana, por exemplo, o PT ainda não sabe para onde o vento sopra. Está no governo do PL… e, ao mesmo tempo, não está. Apoia, critica, silencia e participa — tudo simultaneamente.
Segundo informações de bastidores, o diretório local também enfrenta um racha interno tão profundo que, nas palavras de um filiado, “daria para derrubar um prédio de 13 andares”.
Uma briga que promete
O fato é que o PT fluminense vive hoje uma guerra interna de vaidades, cargos e projetos pessoais, enquanto tenta manter, no discurso, a ideia de unidade partidária. Uma briga boa para quem observa de fora — e que promete desdobramentos eletrizantes nos próximos meses.
Se haverá recomposição, ruptura ou apenas mais um capítulo de convivência forçada, só o tempo dirá. Por enquanto, o PT do Rio segue dividido, desconfiado e em permanente disputa consigo mesmo.
Por: Blog Wisley Fernandes



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