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“Jogando parado”, mas decidindo o jogo: Rodrigo Bacellar segue como peça-chave na sucessão estadual do Rio

“Jogando parado”, mas decidindo o jogo: Rodrigo Bacellar segue como peça-chave na sucessão estadual do Rio

Reeleito por unanimidade para a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil) consolidou um poder político que hoje supera, dentro do Parlamento, o do próprio governador. O resultado unânime não foi apenas simbólico: ele escancarou que Bacellar detém mais votos, mais articulação e mais fidelidade interna do que o chefe do Executivo estadual.

É nesse cenário que se insere o debate sobre a sucessão estadual. A sucessão do Governo do Estado depende única e exclusivamente da decisão de Rodrigo Bacellar. A tese de que o governador Cláudio Castro “faz o sucessor” não passa de mera especulação. A base que hoje sustenta o governo na Alerj não foi construída pelo Palácio Guanabara, mas sim articulada e consolidada pelo próprio Bacellar, ao longo de seu comando político na Casa.

A Alerj já demonstrou, mais de uma vez, que fidelidade não é automática ao Executivo. Ela é construída com liderança, diálogo e poder real de articulação — atributos que hoje estão concentrados na presidência do Legislativo. Mais da metade dos deputados segue a mesma linha política de Bacellar, deixando claro que qualquer desenho sucessório passa, inevitavelmente, por sua decisão.

O silêncio que pesa mais que discursos

Mesmo adotando um perfil discreto, sem entrevistas frequentes e distante do debate eleitoral público, Bacellar permanece no centro do tabuleiro político fluminense. O silêncio, longe de indicar fragilidade, tem sido interpretado nos bastidores como estratégia. Na política, quem controla o tempo costuma controlar o jogo.

Nos corredores da Alerj, já se discute a possibilidade de Bacellar, ao retornar de licença do mandato, renunciar à presidência da Casa, mantendo-se como deputado estadual. O movimento, caso confirmado, obrigaria a convocação de uma nova eleição interna e poderia alterar significativamente a correlação de forças no Legislativo.

A presidência da Alerj e a linha sucessória

A eventual renúncia de Bacellar ganha ainda mais relevância diante da linha sucessória do Estado. O presidente da Alerj é, por regra, o primeiro na ordem para assumir o Governo, em caso de vacância do cargo. Caso o governador Cláudio Castro decida renunciar para disputar uma vaga no Senado, caberá ao presidente do Legislativo assumir o Palácio Guanabara e convocar, em até 30 dias, uma eleição indireta.

Ou seja, a decisão de Bacellar não é apenas administrativa ou interna corporis. Trata-se de um movimento com impacto direto sobre o Executivo estadual e sobre o formato da sucessão de 2026.

Governismo, oposição e o fiel da balança

No campo governista, nomes como Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, e Douglas Ruas, secretário das Cidades, são citados como possíveis alternativas. Ambos, no entanto, orbitam o campo de influência política de Bacellar, o que reforça que nenhuma candidatura se sustenta sem seu aval.

Do outro lado, o ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT) trabalha para reunir votos fora da base governista, defendendo a tese de um eventual “mandato-tampão” que fortaleça o palanque do presidente Lula no estado. A articulação enfrenta resistências e já provocou reações públicas, como as críticas do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

O cenário é fragmentado, e exatamente por isso Bacellar se mantém como variável decisiva. Não há maioria consolidada sem ele. Não há candidatura viável sem sua concordância. Não há sucessão possível sem sua participação.

Quem controla a Alerj, controla o jogo

Rodrigo Bacellar segue “jogando parado”, mas decidindo os rumos do jogo. Fora do debate eleitoral aberto, mas com autoridade, influência e controle político preservados, ele é hoje o principal protagonista da sucessão estadual no Rio de Janeiro.

No atual tabuleiro político fluminense, nenhuma peça se move sem que Bacellar esteja no centro da jogada. E tudo indica que o desfecho da sucessão estadual passará, obrigatoriamente, por ele.

Fonte: DocPress RJ (com análise e contextualização editorial)

Materia: Redação

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