Muito Empenho, Pouco Samba: O Carnaval de R$ 116 Mil que Teve Só Um Bloco Desfilando.
Se alguém ainda tinha dúvida sobre o momento vivido pela cultura e pelo turismo em Bom Jesus do Itabapoana, o Carnaval de 2026 tratou de esclarecer. E fez isso com números — e com um certo senso de ironia involuntária.
O evento, que deveria ser uma das maiores manifestações culturais da cidade, terminou com apenas um bloco desfilando, mas com um custo que ultrapassa R$ 116.359,76 em empenhos já identificados. E isso sem contar alimentação, segurança e outros gastos, que ainda não aparecem nesse montante e que podem facilmente empurrar a conta final para mais de R$ 150 mil.
Além disso, há um detalhe curioso que também chama atenção. Durante o evento, a prefeitura ainda arrecadou recursos com o aluguel do espaço das barracas montadas na Praça Governador Portela. Ou seja, além dos mais de R$ 116 mil já empenhados, ainda houve entrada de dinheiro com a cessão dos espaços para comerciantes. A pergunta que fica é inevitável: esse valor arrecadado foi utilizado para pagar o quê exatamente? Porque, ao que parece, nem a presença dos tradicionais blocos na avenida conseguiu ser garantida.
Tudo isso para um carnaval que, na prática, teve uma dimensão bem diferente do que os números sugerem.
Só em estrutura montada na Praça Governador Portela, o gasto se aproxima de R$ 72 mil.
Entre os empenhos registrados está o pagamento de R$ 37.986,56 à empresa Almeida e Oliveira Produções e Publicidades LTDA, responsável pelo mini trio elétrico.
Além disso, há outros dois empenhos para prestação de serviços de estrutura, sonorização e iluminação para atender a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo durante o evento “Carnaval Folia 2026”, realizado entre os dias 14 e 17 de fevereiro. Esses serviços foram contratados junto às empresas F Produções e Arena Eventos de Itaperuna LTDA, somando R$ 33.273,20.
Na parte artística, os shows também tiveram seus valores empenhados, totalizando R$ 44.500,00, distribuídos da seguinte forma:
- Banda Koisa Nossa – R$ 15 Mil Reais
- Musical Fênix – R$ 3.500 Três mil e Quinhentos reais
- Banda Pakebra – R$ 9 Mil Reais
- Abadart – R$ 10 Mil Reais
- Banda Tchê Maluco – R$ 7 Mil Reais
Somando tudo, chega-se ao valor de R$ 116.359,76.
O detalhe curioso é que, enquanto isso, pousadas da região serrana seguem sem uma estrada em condições para que seus clientes consigam chegar com tranquilidade. Ou seja, o turismo que poderia gerar renda permanente continua enfrentando dificuldades básicas de infraestrutura.
Enquanto isso, o carnaval — que deveria fortalecer as agremiações carnavalescas e a tradição cultural da cidade — segue no caminho inverso: desvalorização das escolas, ausência de blocos e falta de incentivo real.
Para efeito de comparação, Carabuçu recebeu alguns shows doados pela prefeitura, no valor total de R$ 36 mil, contou ainda com doações e apoio da comunidade e conseguiu realizar um carnaval que muitos definiram como apoteótico.
Ou seja, com bem menos dinheiro, a festa apareceu — coisa que, curiosamente, parece não ter acontecido por aqui, já que os blocos que tradicionalmente desfilam não estavam na avenida.
A grande pergunta que fica é: como uma secretaria que tem tudo para impulsionar cultura e turismo consegue chegar ao ponto de não colocar as agremiações na avenida e ainda gastar esse volume de recursos?
O Carnaval de 2026 acabou virando um símbolo curioso:
muito empenho no papel, pouco samba na avenida.
E, pelo visto, a prioridade literalmente passa longe da cultura e do turismo que poderiam movimentar a cidade o ano inteiro.
Fonte: Portal da Transparência










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