Mãe vai às redes sociais para lutar por mediador escolar para filho em Bom Jesus
Família afirma que criança de 2 anos e 4 meses, com diagnóstico de autismo nível 3, estaria sem o acompanhamento necessário na Creche João Pires
Uma mãe precisou recorrer às redes sociais para tentar ser ouvida e chamar a atenção para uma situação que, segundo ela, vem enfrentando na rede municipal de educação de Bom Jesus do Itabapoana.
Lorena, mãe de uma criança de apenas 2 anos e 4 meses, afirma que seu filho possui laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA), nível 3, e que está matriculado na Creche João Pires. Segundo o relato da mãe, a unidade de ensino teria informado que a criança não precisaria de um mediador ou acompanhante especializado.
Diante da situação, Lorena decidiu tornar o caso público nas redes sociais, na tentativa de conseguir uma resposta e, principalmente, garantir que o filho tenha condições adequadas para seu desenvolvimento e sua permanência no ambiente escolar.
A questão, porém, vai muito além de uma discussão entre família e direção de escola.
A legislação brasileira estabelece direitos específicos para estudantes com TEA. A Lei Federal nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, prevê que, em casos de comprovada necessidade, a pessoa com autismo incluída no ensino regular tem direito a acompanhante especializado.
Além disso, as normas educacionais determinam que o apoio deve ser definido a partir das necessidades individuais do estudante, considerando as barreiras existentes no ambiente escolar e as condições necessárias para garantir sua participação e aprendizagem.
Ou seja: a discussão não deveria ser simplesmente se “a criança precisa ou não precisa” de um profissional porque alguém na escola assim decidiu.
É necessário avaliar tecnicamente as necessidades da criança, dialogar com a família e adotar as medidas necessárias para garantir sua inclusão.
E onde está a Secretaria de Educação?
O caso também coloca uma pergunta importante para a Secretaria Municipal de Educação: qual é a política adotada pelo município para atender crianças com TEA que necessitam de acompanhamento individualizado?
Se existe uma criança com necessidades específicas, qual é a dificuldade para disponibilizar o profissional adequado?
A inclusão escolar não pode ficar apenas no discurso bonito de campanha, em postagem de Instagram ou em projeto apresentado na Câmara Municipal.
Na prática, é dentro da sala de aula que a inclusão precisa acontecer.
E a situação relatada por Lorena não parece ser um caso isolado. Segundo a mãe, outras famílias também estariam enfrentando dificuldades semelhantes para conseguir atendimento adequado para seus filhos na rede municipal.
Enquanto isso, a mãe precisa ir para as redes sociais
É preocupante que uma mãe de uma criança pequena precise expor publicamente sua situação para tentar conseguir atenção do poder público.
Não deveria ser necessário transformar uma necessidade básica de uma criança em uma batalha nas redes sociais.
A Prefeitura precisa explicar quais profissionais de apoio estão disponíveis na rede municipal, quantas crianças com TEA são atendidas atualmente, quantas possuem acompanhamento individualizado e quais critérios são utilizados para definir a necessidade de um mediador ou acompanhante especializado.
E, principalmente, precisa olhar para o caso dessa criança.
Porque quando o assunto é uma criança com deficiência, não se trata de favor, privilégio ou benefício político.
É direito.
Aos vereadores: menos Instagram e mais fiscalização
Também fica um recado para os vereadores que gostam de levantar a bandeira da inclusão, anunciar projetos e fazer barulho nas redes sociais:
A legislação já existe.
Antes de criar mais uma sala, mais uma comissão ou mais um projeto para aparecer nas redes sociais, talvez fosse mais útil simplesmente fiscalizar o cumprimento das leis que já estão em vigor e cobrar a Prefeitura e a Secretaria de Educação.
A Lei nº 12.764/2012 já assegura direitos às pessoas com TEA, e a regulamentação federal prevê acompanhante especializado quando comprovada a necessidade.
Portanto, o que as famílias precisam não é apenas de discurso.
Precisam de atendimento. Precisam de profissionais. Precisam de inclusão de verdade.
Enquanto há estrutura administrativa, contratos e profissionais sendo distribuídos pela máquina pública, uma pergunta simples permanece:
Qual é a dificuldade para garantir um mediador para uma criança que precisa de apoio para se desenvolver na escola?
A população espera uma resposta.
E, neste caso, a resposta não deveria vir apenas pelas redes sociais.
A Secretaria Municipal de Educação precisa se manifestar e esclarecer o que está acontecendo na Creche João Pires.
O Blog permanece aberto para que a Secretaria Municipal de Educação e a direção da Creche João Pires apresentem sua versão e esclareçam quais providências estão sendo adotadas.
Fonte: Instagram/ Lorena Nistaldo / Video: Divulgação



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