ELEIÇÃO ACABOU NAS URNAS, MAS NÃO NA JUSTIÇA: investigações avançam para fechar casos abertos ainda em 2024
Para quem imaginou que a eleição municipal de 2024 terminou com a apuração das urnas, é bom olhar novamente para os sistemas da Justiça. Quase dois anos depois, processos e investigações que nasceram naquele período continuam vivos — e alguns começam a apresentar novos movimentos.
Em Bom Jesus do Itabapoana, a Justiça e os órgãos de investigação avançam sobre casos que precisam, finalmente, de uma resposta: arquivamento, responsabilização ou prosseguimento das apurações.
Não dá para manter eternamente debaixo do tapete fatos levantados durante uma eleição. Se não houve irregularidade, que isso seja esclarecido e os procedimentos encerrados. Mas, se houve, que sejam identificados os responsáveis e aplicadas as consequências previstas em lei.
Um dos procedimentos que voltou a apresentar movimentação é o processo nº 0600366-22.2024.6.19.0095, relacionado às eleições municipais de 2024.
Na consulta à Justiça Eleitoral, ele aparece classificado como INQUÉRITO POLICIAL, tendo como assunto “captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral”.
E existe um detalhe importante: no polo ativo consta DPF/GOY/RJ, referência à Polícia Federal, enquanto o investigado aparece como “a apurar”.
MOVIMENTAÇÕES EM AGOSTO E SETEMBRO DE 2026
O processo não está simplesmente abandonado em uma gaveta virtual.
A consulta registra movimentações recentes, entre elas juntada de certidão em 25 de agosto, decurso de prazo do Promotor Eleitoral em 31 de agosto, nova juntada de certidão em 5 de setembro e, também no dia 5 de setembro de 2026, expedição de outros documentos.
São movimentações que mostram que a eleição passou, mas a apuração não desapareceu junto com os santinhos e bandeiras das ruas.
Agora é esperar para saber até onde essa investigação chegará e, principalmente, o que será apurado e qual conclusão será apresentada pelas autoridades competentes.
TRÊS FRENTES DA ELEIÇÃO DE 2024 AINDA NO RADAR
Este não é o único caso relacionado à eleição municipal de 2024 acompanhado por este blog.
Ainda temos três frentes que merecem atenção.
Uma delas é o processo dos RPAs, que parece adormecer no TRE-RJ enquanto se aguarda novo andamento.
Outra é o processo conhecido como das “milícias digitais”, que, após a chegada da perícia, encontra-se suspenso em razão de pedido apresentado pela defesa.
E agora temos este inquérito policial eleitoral, envolvendo apuração pela Polícia Federal e classificado na Justiça Eleitoral sob o assunto “captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral”.
A eleição terminou há quase dois anos. Já passou da hora de esses casos encontrarem uma conclusão.
A população precisa saber se as suspeitas tinham fundamento ou não. Justiça que investiga também precisa concluir: ou arquiva por ausência de elementos ou responsabiliza quem eventualmente tenha violado a legislação.
É importante registrar que investigação ou processo em andamento não significa culpa ou condenação de qualquer pessoa.
E AS APURAÇÕES NÃO PARAM NA ELEIÇÃO
O cenário chama ainda mais atenção quando se observa que as questões acompanhadas pelo blog não estão restritas ao período eleitoral.
Além das investigações relacionadas à eleição, o atual governo possui outra apuração na Polícia Federal envolvendo peças e combustíveis, segundo informações acompanhadas pelo blog.
Há ainda procedimentos no Ministério Público Federal envolvendo cestas básicas, gráfica e licitação, além de uma apuração na Polícia Civil relacionada a combustível.
E ainda existe o já conhecido caso do “rodeio show”, no Ministério Público.
São procedimentos diferentes, com objetos, autoridades e fases diferentes. Portanto, não podem ser tratados como se fossem uma única investigação e muito menos como condenações antecipadas.
Mas uma coisa também precisa ficar clara: a existência de tantas frentes de apuração não pode ser simplesmente ignorada.
A população tem o direito de saber o que aconteceu, e os órgãos responsáveis precisam chegar às respectivas conclusões.
CESTAS BÁSICAS: DENÚNCIA FEITA PELO BLOG EM 2025 VOLTA AO CENTRO DAS ATENÇÕES
E a questão das cestas básicas merece atenção especial porque não começou agora.
Em 2025, este blog levou ao Ministério Público Federal uma denúncia envolvendo justamente a aquisição e a distribuição de cestas básicas pelo Município.
Na ocasião, o blog apresentou informações sobre uma empresa que, segundo a apuração realizada, não funcionava no endereço informado, além de questionar o fato de o Município ter ficado meses sem realizar a entrega das cestas básicas às famílias que dependiam do benefício.
Quando a distribuição voltou a acontecer, surgiu outro ponto grave levantado pelo blog: itens entregues às famílias não correspondiam aos produtos previstos na licitação.
Portanto, não estamos falando de questionamentos que apareceram ontem.
Esses fatos foram levantados, documentados e levados ao Ministério Público Federal ainda em 2025.
Agora surge uma nova informação.
Uma fonte informou ao blog que teria chegado uma solicitação para que a Prefeitura forneça informações detalhadas sobre a distribuição das cestas básicas.
Entre os dados que teriam sido requisitados estão quem realizou as entregas, nomes e números dos usuários beneficiados, identificação do veículo utilizado, nome do funcionário responsável pela entrega, dados do processo de aquisição, cópia da nota fiscal e identificação de quem atestou o documento fiscal.
Se essa solicitação for confirmada documentalmente, chama atenção o nível de detalhamento.
Não se estaria olhando somente para quem vendeu as cestas. O caminho que estaria sendo reconstruído iria da compra até a entrega ao usuário: quem forneceu, quem recebeu, quem atestou a nota, qual veículo transportou, qual servidor entregou e quem efetivamente recebeu o benefício.
E é justamente nesse ponto que aquilo que este blog denunciou em 2025 pode contribuir com as apurações realizadas pelos órgãos responsáveis, permitindo que as autoridades façam o cruzamento entre o que consta nos processos administrativos, o que foi comprado e pago e aquilo que efetivamente chegou às famílias.
Empresa que não funcionava no endereço informado, meses sem distribuição e produtos entregues diferentes daqueles previstos na licitação não são detalhes. São fatos que precisam de respostas.
Se tudo ocorreu regularmente, os documentos poderão demonstrar.
Mas, se existir diferença entre aquilo que foi licitado, comprado e pago e aquilo que efetivamente foi entregue à população, caberá às autoridades descobrir onde essa diferença surgiu e quem eventualmente deve responder por ela.
Este blog fez sua parte ainda em 2025: investigou, reuniu informações e levou o caso ao Ministério Público Federal.
Agora, diante das novas informações, espera-se que as apurações avancem e tragam as respostas que a população ainda não recebeu.
AGORA É HORA DE FECHAR AS CONTAS COM 2024
A eleição municipal terminou nas urnas. Na Justiça e nos órgãos de investigação, aparentemente, ainda existem contas de 2024 esperando para serem fechadas.
E isso precisa acontecer.
Não interessa à sociedade carregar investigações indefinidamente. Quem não praticou irregularidade merece ter isso esclarecido. Quem eventualmente ultrapassou os limites da lei precisa responder pelos seus atos.
Estamos em 2026. Uma nova campanha eleitoral já está nas ruas e Bom Jesus do Itabapoana ainda espera respostas sobre acontecimentos da eleição passada.
Os sistemas mostram que algumas peças voltaram a se movimentar.
Agora resta saber se os próximos movimentos serão suficientes para, finalmente, colocar um ponto-final nos casos que a eleição de 2024 deixou em aberto.
Fonte:TSE / Informações Sigilo da Fonte / MPF





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