Busca e Apreensão da Polícia Federal Escancara o “Lapso de Memória” de R$ 470 Mil do Deputado Sóstenes Cavalcante
Se a moda do lapso de memória seletivo pegar, talvez o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) também acabe esquecendo os caminhos que levam a Bom Jesus do Itabapoana. O município, diga-se de passagem, tem fiéis apoiadores do parlamentar e recebeu diversas emendas parlamentares, que agora — convenhamos — merecem passar por um bom e velho pente fino.
Na última sexta-feira (19), a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão que colocou luz alta sobre aquilo que até então parecia bem guardado… dentro de um armário. Em um apartamento usado por Sóstenes Cavalcante, em Brasília, os agentes encontraram quase R$ 470 mil em dinheiro vivo. Sim, em espécie. Nada de TED, PIX ou comprovante bancário. Apenas notas, muitas notas.
💭 O discurso moral encontra o armário
O detalhe que torna tudo ainda mais curioso é que o deputado sempre fez questão de adotar um discurso enfático de moralidade e combate à corrupção. Porém, na prática, está enfrentando dificuldade para explicar a origem de quase R$ 470 mil, já que, em sua última declaração à Justiça Eleitoral, não constava a posse de imóveis.
Mesmo assim, o dinheiro apreendido teria sido, segundo alegação, fruto da venda de um imóvel. Um imóvel que, aparentemente, não existia oficialmente no papel. Um verdadeiro exercício de memória criativa.
💸 Assessores milionários… com salários modestos
E o enredo não para por aí.
A Polícia Federal investiga também movimentações financeiras milionárias feitas por assessores ligados ao deputado e ao PL, algo que destoa — e muito — da renda declarada.
📌 Adailton Oliveira Santos, assessor do PL, teria movimentado mais de R$ 11 milhões, sem identificação clara de origem ou destino. Seu salário? Cerca de R$ 14 mil.
📌 Itamar de Souza Santana, assessor do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), movimentou quase R$ 6 milhões, grande parte também sem origem identificada. Salário mensal: R$ 16 mil.
Somadas, as movimentações atípicas identificadas em relatório de inteligência financeira chegam a R$ 27 milhões.
🧼 Smurfing: quando o dinheiro anda em migalhas
Segundo a PF, parte das verbas da cota parlamentar — dinheiro público destinado a despesas do mandato — teria sido desviada por meio de empresas de fachada, incluindo uma locadora de veículos, com contratos simulados.
O dinheiro era sacado e depositado de forma fracionada, sempre abaixo de R$ 10 mil, para evitar alertas automáticos. O método é conhecido como “smurfing”, técnica clássica de lavagem de dinheiro para driblar a fiscalização.
Trocas de mensagens entre investigados, contratos suspeitos e movimentações incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos reforçam as suspeitas levantadas pela Polícia Federal.
🔍 Do discurso à investigação
Além de Sóstenes Cavalcante, a operação também mira o deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Ambos são suspeitos de desvio de recursos públicos oriundos da cota parlamentar.
Por ora, tudo está no campo da investigação. Mas os fatos são claros:
➡️ dinheiro em espécie,
➡️ imóveis que aparecem e somem conforme a narrativa,
➡️ assessores com vida financeira de magnata,
➡️ e um discurso moral que começa a perder o verniz.
❓ E Bom Jesus, como fica?
Diante desse cenário, fica a pergunta que não quer calar:
as emendas parlamentares destinadas a Bom Jesus do Itabapoana também resistiriam a um pente fino da Polícia Federal?
Se a memória falha para explicar quase R$ 470 mil guardados em um armário, quem garante que ela não falhe também quando o assunto são milhões enviados aos municípios?
A sociedade agradece a investigação. E a memória… bem, essa talvez precise mesmo de ajuda.
Fonte :O Globo /G1





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