Globo Corrige, Mas Não Repara: Quando a Ratificação Não Apaga o Erro Jornalístico
A Rede Globo voltou atrás e corrigiu informações falsas divulgadas sobre funcionários da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), entre eles Marco Antonio Cabral. No entanto, a forma como essa “correção” foi feita levanta questionamentos sérios sobre responsabilidade jornalística, apuração dos fatos e os danos causados por uma informação publicada de forma precipitada.
A emissora escalou uma de suas jornalistas apenas para ratificar uma data, quando o correto — e ético — seria um pedido claro de desculpas, proporcional ao tamanho do erro cometido. Afinal, a matéria original tratou todos os funcionários exonerados da Alerj como se fossem “funcionários fantasmas”, o que simplesmente não corresponde à realidade.
A fragilidade da narrativa fica evidente quando se observa que bastaria analisar dois nomes citados como exemplo: Sérgio Cabral e Paulo Melo. Ambos são ex-deputados há anos, não exercem mandato algum, e ainda assim foram usados como símbolos de um problema que, supostamente, atingiria toda a Casa. Curiosamente, os 70 deputados que hoje ocupam cadeiras na Alerj ficaram fora do foco da reportagem.
A pergunta que se impõe é direta: a quem interessa esse tipo de matéria?
Na apuração, a única equação plausível parece ser a tentativa de desviar o foco do que realmente está acontecendo nos bastidores do poder: uma disputa política em torno de cargos estratégicos dentro da Alerj. Vale lembrar que Rodrigo Bacellar está afastado, não cassado, e a Assembleia segue tendo presidente. Transformar esse cenário em caos administrativo, sem o devido rigor factual, atende mais a interesses políticos do que ao direito à informação.
Outro ponto que chama atenção — e que precisa ser bem elucidado — é a alegação de que um jovem de apenas 12 anos, à época, já estaria nomeado na Alerj. Isso é jornalismo investigativo ou apenas informação jogada ao público sem checagem adequada? Trata-se de um dado gravíssimo, que exigiria provas robustas, documentos e contexto. Sem isso, vira apenas mais um elemento sensacionalista lançado “no bolo” para causar impacto.
Enquanto isso, Itaboraí começa a ser nomeada em peso dentro da Alerj, fato que passou praticamente despercebido na cobertura, mas que merece atenção e investigação séria.
Depois de toda a repercussão negativa, vem um pedido raso de ratificação, quase protocolar. Mas o estrago já estava feito. Reputações foram atingidas, servidores públicos colocados sob suspeita e a opinião pública induzida a erro.
Jornalismo de verdade apura antes, publica depois.
Não constrói narrativas frágeis para depois corrigi-las discretamente.
Não joga suspeitas ao público esperando que uma errata resolva o dano.
Informar é um dever. Desinformar, mesmo que corrigindo depois, é irresponsabilidade.
Matéria: Redação




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