Cai a Energia, Cai a Comunicação: Até Quando?
Em Bom Jesus do Itabapoana, a novela dos apagões ganhou novos capítulos — mas o enredo continua previsível. A luz acaba… e o celular entra em modo “vida offline”. Antes, era simples: faltava energia e todos já sabiam que ficariam incomunicáveis. Agora há uma “evolução tecnológica”: o sinal ainda resiste por cerca de 30 minutos, fica capenga, oscilando… e depois simplesmente desaparece.
A conta não fica só na energia fornecida pela Enel. Quando a luz vai embora, o sinal da Vivo parece ir junto — como se um dependesse do outro para existir. E, segundo informações, tudo piorou depois do furto de uma bateria que alimentava uma das torres de transmissão. Desde então, cada queda de energia virou um teste de resistência para quem depende de comunicação.
O problema é que isso não é apenas um “aborrecimento digital”. É prejuízo real.
Taxistas que dependem de chamadas e aplicativos.
Lanchonetes, restaurantes e churrasquinhos que trabalham com delivery.
Comerciantes que recebem pedidos pelo WhatsApp.
Profissionais liberais que atendem clientes remotamente.
Sem energia e sem sinal, a cidade para.
E há ainda o lado mais sensível: pais que querem saber se o filho saiu bem da faculdade, familiares aguardando notícias de quem está voltando do trabalho, pessoas com parentes doentes que precisam manter contato constante. Quando tudo cai ao mesmo tempo, não é só o comércio que sofre — é a sensação de segurança da população que desaparece junto.
O mais curioso é o silêncio que acompanha cada apagão. O poder público parece entrar em “modo avião”. Não há posicionamentos firmes, cobranças públicas contundentes ou explicações claras à população sobre o que está sendo feito para evitar que a cidade continue ficando às escuras — e muda.
Essa situação já ultrapassou o limite do tolerável. Serviços essenciais precisam ter plano de contingência. Se há registro de furto de equipamento, é obrigação da empresa reforçar a estrutura e garantir redundância suficiente para que uma cidade inteira não fique incomunicável meia hora depois que a energia cai.
O mínimo que se espera de empresas concessionárias e operadoras que faturam alto é respeito ao consumidor.
Fica o alerta aos vereadores, especialmente aos integrantes da Comissão de Defesa do Consumidor: fiscalizar essa situação não é favor, é dever. A população de Bom Jesus não pode continuar vivendo em um sistema onde, ao menor sinal de instabilidade, tudo desliga — inclusive a responsabilidade.
Porque, do jeito que está, quando a luz apaga… a paciência da população também está se esgotando.



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