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Prefeitura paga fantasias e ornamentação, mas população diz o contrário: o abacaxi que Toninho vai ter que descascar

Prefeitura paga fantasias e ornamentação, mas população diz o contrário: o abacaxi que Toninho vai ter que descascar

A Prefeitura de Bom Jesus do Norte parece ter conseguido transformar até o desfile de 7 de Setembro em um verdadeiro abacaxi administrativo. E, pelo que chegou a este blog, ainda tem muita casca para aparecer.

Documentos oficiais do próprio Município mostram uma despesa de R$ 11 mil com a empresa 57.300.393 LUANNA CRISOSTOMO PINTO, CNPJ 57.300.393/0001-76, sediada em Alegre (ES).

Na liquidação nº 0003879/2026, vinculada ao empenho nº 0002427/2026, o histórico é bastante claro. O serviço contratado seria:

“Ornamentação de carros alegóricos e confecção de fantasias por ocasião do desfile de 7 de Setembro, com fornecimento de material e mão de obra.”

Tudo isso a pedido da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, pelo valor de R$ 11.000,00.

Até aí, poderíamos imaginar uma empresa chegando a Bom Jesus do Norte com material, mão de obra, fantasias sendo confeccionadas e carros alegóricos sendo ornamentados. Afinal, é exatamente isso que aparece na descrição da despesa pública.

Só que aí entra em cena a nota fiscal. E o enredo começa a ficar interessante.

A Prefeitura fala em carros alegóricos. A nota fiscal fala em 100 fantasias

A NFS-e nº 16, emitida em 5 de agosto de 2026, identifica como prestadora a empresa de Luanna Crisostomo Pinto, de Alegre, e como tomador o Município de Bom Jesus do Norte.

Mas, na descrição do serviço da nota fiscal, não aparece ornamentação de carro alegórico.

A descrição apresentada é:

“CONFECÇÃO DE 100 FANTASIAS TEMÁTICAS (VALOR UNITÁRIO: R$ 110,00)”.

100 fantasias × R$ 110 = R$ 11 mil.

E acabou.

Pelo menos na descrição da NFS-e apresentada a este blog, não há discriminação de valor para ornamentação de carros alegóricos, quantidade de carros ornamentados, materiais empregados nessa ornamentação ou mão de obra específica para esse serviço.

Enquanto a liquidação registra ornamentação de carros alegóricos + confecção de fantasias + material + mão de obra, a nota fiscal descreve somente 100 fantasias temáticas.

É aí que o abacaxi começa a ganhar coroa.

E quem fez as fantasias?

Este blog recebeu relatos de que a realidade vista dentro de algumas unidades escolares teria sido diferente daquela que uma leitura dos documentos poderia sugerir.

Segundo informações encaminhadas ao blog, pais de alunos teriam participado da confecção de fantasias, enquanto algumas escolas teriam recebido materiais para que as próprias peças fossem produzidas.

Uma mãe relatou que houve participação dos próprios pais. Também recebemos informações de que funcionários de unidades escolares permaneceram depois do horário confeccionando fantasias.

Em outra situação relatada, houve creche em que crianças já chegaram à unidade arrumadas para participar do desfile.

Esses são relatos recebidos pelo blog e precisam ser esclarecidos oficialmente pela Prefeitura. Mas eles levantam uma pergunta bastante simples:

se foram pagos R$ 11 mil pela confecção de 100 fantasias, com fornecimento de material e mão de obra constando no histórico da despesa, exatamente quais fantasias foram confeccionadas pela empresa?

E mais: quais foram feitas nas escolas, quais tiveram participação de servidores e quais foram confeccionadas ou providenciadas pelos próprios pais?

Porque dinheiro público não combina com fantasia — pelo menos não na prestação de contas.

E os carros alegóricos, quem ornamentou?

Aqui aparece outra questão que a gestão do prefeito Toninho Gualhano precisa esclarecer.

Se o histórico oficial da liquidação diz que o serviço incluía ornamentação de carros alegóricos, onde está esse serviço discriminado na nota fiscal apresentada?

A nota registra apenas as 100 fantasias a R$ 110 cada. O valor total da operação e o valor líquido da NFS-e são exatamente R$ 11 mil.

Então surgem perguntas inevitáveis: quem ornamentou os carros alegóricos? Quantos carros foram ornamentados pela contratada? Quais materiais foram utilizados? Onde está o custo desse serviço? Se os R$ 11 mil da nota correspondem integralmente às 100 fantasias, como foi remunerada a ornamentação prevista no histórico da liquidação?

E, principalmente, quem efetivamente executou cada parte do serviço contratado?

E o dinheiro já foi pago

Não estamos falando apenas de uma previsão de gasto.

O Portal da Transparência registra pagamento de R$ 11 mil em 10 de agosto de 2026, pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura. A documentação também aponta a ordem de compra nº 000599/2026, no mesmo valor.

O processo aparece vinculado à Dispensa nº 0000015/2026 e ao Contrato nº 0000150/2026, de prestação de serviços.

Portanto, não basta dizer que “o desfile aconteceu”.

A questão é saber se aquilo que foi contratado, liquidado, faturado e pago corresponde exatamente ao serviço efetivamente executado.

Toninho, prepara a faca: esse abacaxi ainda tem mais casca

A gestão municipal precisa explicar documentalmente quais foram as 100 fantasias entregues pela empresa; quem recebeu e atestou a execução; quais carros alegóricos foram ornamentados; quem realizou a ornamentação; quem comprou os tecidos e demais materiais enviados às escolas; e por que servidores e pais, segundo os relatos recebidos, participaram da confecção se havia contratação envolvendo fornecimento de material e mão de obra.

Este blog deixa claro que os relatos de pais e servidores são informações recebidas e ainda dependem de manifestação oficial da Prefeitura. Já os valores, fornecedor, empenho, liquidação, pagamento e descrição da NFS-e estão registrados na documentação apresentada.

E o desfile de 7 de Setembro ainda não terminou por aqui.

Tem mais coisa vindo.

A estrutura utilizada no evento também está sendo levantada por este blog, e o que encontramos poderá acrescentar mais um pedaço desse abacaxi.

A documentação será reunida para que os fatos possam ser levados ao conhecimento do Ministério Público, a quem caberá avaliar se existe alguma irregularidade.

No desfile, fantasia é parte da festa.

Na prestação de contas, não pode ser.

O espaço permanece aberto à Prefeitura de Bom Jesus do Norte, à Secretaria Municipal de Educação e Cultura, à empresa contratada e aos demais citados para esclarecimentos e apresentação de documentos.

Fonte: portal da Transparência / Receita Federal / Informações / Foto Divulgação

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