Câmara Assume Salário de Servidora Cedida Que Continua Recebendo de São João da Barra. Afinal, De Quem É a Conta?
A Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana resolveu ser generosa — mas, como quase sempre, com o dinheiro do contribuinte. Em 2025, o Legislativo passou a assumir o ônus salarial de uma servidora cedida pelo município de São João da Barra, pagando mensalmente R$ 5.366,63. No acumulado do ano, o valor já chega a quase R$ 50 mil, sem contar o bônus natalino.
Até aqui, poderia ser apenas mais um caso comum de cessão de servidor público. O problema começa quando se faz algo que ainda causa alergia em alguns setores do poder público: consultar o Portal da Transparência.
No Portal da (Nada) Transparência de São João da Barra, a mesma servidora aparece como efetiva, no cargo de Auxiliar de Creche, com remuneração de R$ 1.992,00. A matemática é simples e o resultado não fecha. E quando a conta não fecha, como de costume, quem paga é o cidadão.
Buscando esclarecimentos, entramos em contato com a Prefeitura de São João da Barra para entender se esse valor corresponde a salário, complemento ou outro tipo de provento. O desfecho foi o já conhecido roteiro da administração pública brasileira: liga para um setor, transfere para outro, ninguém resolve e ninguém sabe de nada. É o famoso “corre que a explicação vem aí” — mas nunca chega.
Segundo informações obtidas e documentos consultados de que, em Bom Jesus do Itabapoana, a servidora está nomeada em um cargo com gratificação de Agente de Contratação. Trata-se de função que, conforme a legislação municipal, é destinada a servidores do quadro permanente . O valor previsto para o cargo é inferior ao montante que vem sendo pago pela Câmara Municipal.
“Segundo informações apuradas nos bastidores políticos, a servidora teria sido indicada por um vereador. Coincidência, claro. Em Bom Jesus, essas escolhas costumam ser sempre técnicas, imparciais e absolutamente desprovidas de qualquer laço político.
Diante do cenário, vamos entrar em contato com a Câmara Municipal solicitando algo simples, mas aparentemente difícil: mais transparência no Portal. Algumas perguntas básicas seguem sem resposta:
- Qual é, exatamente, o cargo exercido pela servidora na Câmara?
- Por que uma função prevista para servidor do quadro permanente estaria sendo ocupada por uma servidora cedida?
- O que está sendo pago além do valor legalmente previsto?
- Onde está o termo de cessão, para consulta pública, como manda a boa prática administrativa?
Seria ainda mais transparente — e pedagógico — se a Câmara divulgasse o nome dos vereadores responsáveis por suas indicações. Assim, evitaríamos expor a imagem da instituição, criada para servir ao POVO, e ainda aliviaríamos o peso que costuma recair sempre sobre o presidente da Casa.
Até porque, segundo informações de bastidores, essa indicação não estaria na conta do presidente. Aliás, ele anda levando muita “bolada nas costas”. Fica a dúvida: existe a possibilidade de o presidente acabar assumindo um problema jurídico que não criou?
Quem domina o orçamento da Câmara, dizem nos corredores, não é exatamente quem senta na cadeira principal. Isso, convenhamos, até os pombos da praça já sabem.
E fica o alerta histórico: Carabuçu que o diga. O ex-presidente Luciano Nunes já passou por situação semelhante — sem sequer saber como foi parar no centro do problema. Os atores, dizem, eram praticamente os mesmos. A diferença é que, naquela época, a pedalada fiscal não era elétrica. A bicicleta era Monark.
Talvez seja prudente o atual presidente, Marcelinho Vieira, marcar um café com Luciano Nunes e ouvir a história completa. Quem conhece armadilha antiga costuma escapar das novas.
📄 Documentos citados serão anexados abaixo na matéria.
Porque transparência de verdade não corre de perguntas — responde.
Fonte: Portal da Transparência / Colaboradores
Matéria: Redação







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