Chegou o Ano Eleitoral: Os Turistas dos Milagres e a RJ-230 de Sempre
Ano eleitoral é igual estação de verão: aparecem os turistas. Só que, em vez de cooler e protetor solar, eles chegam com celular na mão, vídeo ensaiado e promessas recicladas. E, claro, com milagres de campanha que só duram até a apuração das urnas.
Um desses visitantes é o deputado estadual e agora pré-candidato a federal, Vitor Junior — aquele mesmo que levou uma rasteira do próprio grupo político e resolveu mudar de categoria. Já que está rodando tanto, talvez fosse de bom tom ao menos passar por Bom Jesus do Itabapoana e fotografar a RJ-230 ao vivo, e não por print de Google Maps, como fez para gravar vídeo.
A precariedade da RJ-230 não é novidade, não é exagero e muito menos “narrativa”. É realidade antiga. Anos de buracos, risco constante, transtornos para moradores, prejuízo para quem depende da estrada para trabalhar, transportar cargas ou simplesmente ir e vir com segurança. Carros sofrem, motos sofrem, caminhões sofrem — e o povo sofre mais ainda.
E tem mais: o deputado é tão azarado que, justamente no print usado no vídeo, o trecho mostrado é um dos melhores da RJ-230. Coincidência? Talvez. Mas quem vive a rotina de desviar de buracos, crateras e desníveis sabe muito bem que a realidade da estrada passa longe daquele recorte conveniente. A RJ-230 real não aparece em print bonito — ela aparece no amortecedor estourado, no pneu rasgado e no medo constante de acidente.
Vale lembrar ao deputado (caso tenha esquecido entre um vídeo e outro) que a RJ-230 não precisa de remendo eleitoral, precisa de uma estrada nova inteira, do começo ao fim. Especialmente na região serrana, onde a estrada está literalmente caindo em vários pontos — e não é de hoje.
O governador Cláudio Castro, por exemplo, já deu o roteiro clássico que o eleitor conhece bem:
inicia obra em ano eleitoral → para a obra → reaparece perto da eleição → escolhe outro deputado → grava vídeo → ilude a população com tapa-buraco que não dura três meses.
E não é teoria, é histórico. A obra da RJ-230 já foi licitada, medida, iniciada e abandonada pelo próprio governo estadual. Parou por quê? Para depois virar cenário de vídeo, ensaio político e promessa reciclada. O ciclo é sempre o mesmo: grava, promete, tapa buraco, pega os votos… e deixa a população sofrendo mais dois anos, até a próxima eleição.
Virou rotina.
E como se não bastasse o teatro, basta abrir o Instagram. Em poucos minutos, o vídeo patrocinado do deputado aparece duas, três, quatro vezes, como se repetir promessa transformasse buraco em asfalto. É impulsionamento pesado, um verdadeiro dinheirão gasto para empurrar vídeo goela abaixo, tentando convencer a população de que print de Google Maps resolve estrada abandonada há anos. Marketing digital funcionando a todo vapor — enquanto a RJ-230 segue quebrando carros, motos e a paciência de quem precisa passar por ela todos os dias.
O asfalto da cidade é outro exemplo clássico. Aqueles vários quilômetros subindo morro, curiosamente beneficiando a faculdade do moço que agora também virou tiktoker político, enquanto o povo segue no improviso e na promessa.
O cidadão sai de Rosal rezando, chega em Bom Jesus para tomar fôlego… e segue até a BR rezando dobrado, torcendo para chegar inteiro. Já o deputado? Grava vídeo no ar-condicionado, repetindo o mesmo roteiro político que se apresenta a cada eleição.
E a RJ-230?
Segue como sempre:
🚧 ganha um cheirinho de asfalto em alguns trechos,
🗳️ vira palco de promessa,
🏥 e depois da eleição volta direto para a UTI, largada, esquecida e esburacada.
Porque, pelo visto, milagre mesmo só dura até o fechamento das urnas. Depois disso, quem paga a conta — mais uma vez — é o povo.
Fonte: Mídia Instagram






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